DNA de 525 presos reforça banco genético de MS e amplia cruzamento de informações criminais

Peritos criminais da Polícia Científica de Mato Grosso do Sul realizaram, nesta terça-feira (15), a coleta de material biológico de 525 presos do Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho (EPJFC), conhecido como Presídio de Segurança Máxima, em Campo Grande. As amostras poderão ser comparadas com vestígios encontrados em cenas de crimes de todo o País, inclusive de casos antigos que ainda não possuem autoria identificada.

O material genético será inserido, até o fim de outubro, nos bancos estadual e nacional de perfis genéticos. A ação é realizada pela Polícia Científica, por meio do Instituto de Análises Laboratoriais Forenses (IALF), em conjunto com a Polícia Penal, por meio da Agepen.

Segundo a diretora do IALF, Josemirtes Prado da Silva, Mato Grosso do Sul contabilizava 6.024 perfis genéticos cadastrados na Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG) em 1º de setembro de 2026. Desse total, 4.584 são de condenados e 945 foram obtidos a partir de vestígios de ocorrências.

A RIBPG integra o Banco Nacional de Perfis Genéticos, os bancos estaduais e distrital e o banco da Polícia Federal. A integração permite que perfis obtidos em diferentes estados sejam comparados. “Um perfil obtido de um vestígio em Mato Grosso do Sul pode encontrar correspondência com outro vestígio ou com o perfil de uma pessoa cadastrada criminalmente no próprio Estado ou em outra unidade da Federação”, explica Josemirtes.

Conexões entre diferentes crimes
O cruzamento de informações já auxiliou investigações em Mato Grosso do Sul. Conforme o XXIV Relatório da RIBPG, com dados consolidados até 28 de maio de 2026, o Estado contabilizava 74 investigações auxiliadas pelo banco de perfis genéticos e 66 coincidências genéticas. Foram 53 entre vestígios de ocorrências distintas e 13 entre vestígio e indivíduo cadastrado criminalmente.

Entre os casos divulgados está o de um homem preso em São Paulo cujo perfil genético foi relacionado a um vestígio de estupro ocorrido em 2011, no interior de Mato Grosso do Sul. Em outro caso, um homem que havia cumprido pena por estupro no Estado e estava evadido foi preso no Maranhão, também por crime sexual, permitindo o cruzamento do novo perfil com o cadastro existente.

A integração também já contribuiu para relacionar ocorrências envolvendo uma associação criminosa especializada em assaltos a bancos, com atuação em Mato Grosso do Sul e outros estados.

Josemirtes ressalta que a correspondência genética é um elemento técnico que deve ser analisado junto aos demais elementos de cada investigação. “A coincidência genética fornece um dado técnico para a investigação. Sozinha, ela não representa conclusão sobre autoria”, destaca.

Coleta prevista em lei
Além da ação na Máxima, este ano, foram realizadas duas etapas de coleta no Complexo Penitenciário da Gameleira: 300 em abril e 186 em maio.

Alterada em 2025, a Lei de Execução Penal prevê a identificação genética obrigatória do condenado à pena de reclusão em regime inicial fechado, além de regras específicas para condenados por crimes contra a dignidade sexual. Os procedimentos são detalhados pelas Resoluções nº 13 e nº 14/2026 da RIBPG.

Os bancos possuem caráter sigiloso e acesso restrito. A legislação estabelece regras para segurança, cadeia de custódia e utilização das amostras. “Os bancos de perfis genéticos têm caráter sigiloso e acesso restrito e controlado. Os administradores são responsáveis pela segurança, qualidade e integridade das informações armazenadas”, afirma a diretora.

Texto: Ascom Sinpof/MS

Fotos: PCi/MS

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