A identificação de pessoas desaparecidas passa por diferentes etapas investigativas, mas uma delas tem papel decisivo: a coleta de DNA de familiares. Em Mato Grosso do Sul, 231 parentes de pessoas desaparecidas já forneceram material genético para o Banco Estadual e Nacional de Perfis Genéticos, que são utilizados para confrontar informações e possibilitar o reconhecimento de pessoas desaparecidas ou de restos mortais encontrados em qualquer região do país.
Atualmente, o Estado possui 221 ossadas sem identificação. Todo o material coletado é inserido simultaneamente nos bancos estadual e nacional, permitindo que os perfis sejam comparados automaticamente sempre que novos vestígios forem cadastrados.
Em entrevista à TV Morena, a diretora do Instituto de Análises Laboratoriais Forenses (IALF), Josemirtes Socorro Prado da Silva, explica que todos os familiares de pessoas desaparecidas podem contribuir com esse processo.
“Todos os familiares que tiverem pessoas desaparecidas devem procurar uma delegacia para serem orientados e encaminhados para fazer essa coleta. Podem realizar o procedimento mãe, pai, irmãos e também filhos, com as respectivas mães. Ou seja, parentes ascendentes e descendentes podem participar”, afirma.
Como funciona a coleta
O procedimento começa com o registro do desaparecimento. Após procurar uma delegacia, os familiares são encaminhados ao laboratório para a coleta do material genético. Em Campo Grande, a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídios (DHPP) possui um setor específico para casos de pessoas desaparecidas.
Segundo Josemirtes, é indispensável apresentar o número do boletim de ocorrência, mas ele não precisa ter sido registrado em Mato Grosso do Sul.
“Se a pessoa tem um familiar desaparecido no Pará, por exemplo, mas possui o número do boletim de ocorrência registrado naquele estado, ela pode fazer a coleta aqui. Como o banco de perfis genéticos é nacional, caso esse familiar seja encontrado em outro estado, a identificação poderá ser realizada”, explica.
Na Capital, a coleta é realizada no Instituto de Análises Laboratoriais Forenses (IALF). Já no interior, o atendimento está disponível nas 14 Unidades Regionais de Perícia e Identificação (URPIs), que encaminham as amostras ao IALF.
Atendimento humanizado
Além dos avanços tecnológicos empregados na identificação de pessoas desaparecidas, Mato Grosso do Sul também investe na qualificação do atendimento às famílias. O Instituto de Medicina e Odontologia Legal do Estado está finalizando um curso voltado para agentes da Polícia Científica e peritos médicos, com foco no acolhimento de familiares durante o processo de busca por pessoas desaparecidas. A capacitação foi desenvolvida a partir de um protocolo internacional, adaptado à realidade sul-mato-grossense.
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