Um grafite de lapiseira de 0,7 milímetro integra uma metodologia desenvolvida pela Polícia Científica de Mato Grosso do Sul, em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), para a identificação de bromadiolona, substância utilizada como raticida.
“O método foi desenvolvido inicialmente para análise de alimentos e depois ampliado para conteúdo gástrico de animais com suspeita de envenenamento”, explica o perito criminal Evandro Rodrigo Pedon, chefe da Divisão de Química e Toxicologia Forense (DQT) do Instituto de Análises Laboratoriais Forenses (IALF).
Durante o desenvolvimento da metodologia, foram utilizadas amostras de ocorrências encaminhadas à Polícia Científica, entre elas achocolatado em pó, leite em pó, suco de uva e farofa.
No procedimento, o grafite de lapiseira de 0,7 milímetro funciona como um eletrodo sensor. É na superfície do material que ocorre a resposta eletroquímica associada à presença da substância.
A tecnologia já foi empregada em 36 análises periciais, que resultaram na emissão de 36 laudos periciais. Do total, oito exames foram realizados em alimentos e 28 em conteúdo gástrico de animais com suspeita de envenenamento.
Metodologia para análise de fungicida A parceria entre o Instituto de Química da UFMS e o IALF também possibilitou o desenvolvimento de um método destinado à análise do fungicida benzovindiflupir, utilizado na agricultura.
A metodologia pode ser empregada em situações de suspeita de falsificação ou adulteração de produtos que contenham a substância. Assim como no método desenvolvido para a bromadiolona, o trabalho utiliza técnicas eletroquímicas.
O chefe da Divisão de Química e Toxicologia Forense (DQT) do IALF explica que, antes de serem incorporados à rotina laboratorial, os métodos passam pelas etapas de desenvolvimento e validação, garantindo que o procedimento apresente resultados confiáveis para a atividade pericial.
“Depois de desenvolvidos e validados, os métodos podem ser incorporados aos exames do IALF e, quando necessário, utilizados em conjunto com outras técnicas analíticas”, destaca Pedon.

Equipamentos para análises eletroquímicas
Como parte da estruturação das análises eletroquímicas, a Polícia Científica adquiriu dois potenciostatos/galvanostatos. Cada equipamento teve custo aproximado de R$ 50 mil, totalizando um investimento de cerca de R$ 100 mil.
“Até então, os trabalhos eram realizados com equipamentos da UFMS. Com a aquisição, a Polícia Científica passa a contar com equipamentos próprios. A implantação dos equipamentos está em andamento e os aparelhos serão utilizados pelos peritos do laboratório”, explica.
Tecnologia criada a partir das demandas da perícia
A parceria entre a Polícia Científica e a UFMS surgiu a partir de necessidades identificadas pelos peritos na rotina dos exames laboratoriais. O termo de cooperação foi formalizado em 2021.
A iniciativa integra conhecimento científico e experiência técnica para transformar demandas da atividade pericial em projetos de pesquisa e desenvolvimento de novas metodologias.
Por Ascom Sinpof/MS